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Sempre há um narcisista entre nós!!

Por Douglas Brito
Narciso contemplando seu reflexo

Será que é o ‘outro’? ou este ‘outro’ sou eu?

Quando o egocentrismo e a manipulação são fruto de uma personalidade patológica.

A palavra Narcisismo (e suas variações) está presente em nosso vocabulário, principalmente quando associada às redes sociais. Vivemos na era do narcisismo. Como sobreviver no mundo do eu, eu, eu…

Não quero usar os termos de uso comum, mas sim na patologia que ela é, pois a personalidade narcísica é um problema que pode ser grande, e em vários níveis.

Alguns traços são bem marcantes e começarei com a busca de um profissional para identificar. Mas, e para encontrar? Já que quem está pensando no assunto (ou deveria estar), só está porque alguém está insistindo no tema, dificilmente é pela vontade própria, de se conhecer. Daí segue o próximo problema: quem irá ser o profissional competente à altura de identificar, conversar e tratar, atendendo às altas expectativas do ser em questão, já que este profissional tem que ser de reconhecido prestígio e estar altamente capacitado para atendê-lo(a).

Quando estas etapas são atendidas, durante o acompanhamento terapêutico, o narcisista começa a desenvolver a sua inteligência emocional, buscando os pontos que precisam ser controlados: sentimentos, raivas, sofrimentos, intolerância, etc.

Passada esta fase bem crítica do tratamento, vamos identificando as suas qualidades e capacidades em sua justa medida, entendendo e aceitando as críticas, desenvolvendo a autoestima e encontrando objetivos bem mais realistas.

Um dos pontos críticos dos narcisistas, é que a relação com eles pode ser muito tóxica. E digo mais: para ambos!

Com grande naturalidade, os narcisistas são arrogantes e prepotentes, principalmente porque acreditam que são únicos, especiais e donos e senhores de uma existência maravilhosa que está muito longe da que os demais poderiam sequer imaginar, que só eles sabem fazer coisas (qualquer coisa), o que costuma também causar exaustão porque se sobrecarregam de responsabilidades e compromissos, afinal quando uma coisa precisa ser feita, ninguém faz melhor mesmo…. deixa que eu faço! Em outros momentos, acham que aprendem qualquer coisa com extrema facilidade, e também podem ser frustrar com estas atitudes, porque podem, como todos, não ter afinidade ou conhecimento prévio sobre o assunto.

Existe um conceito latente: “A grandeza de sua personalidade e de sua vida os leva a pensar que não podem se relacionar com qualquer um, que devem procurar pessoas de sua categoria”. Daí surgem problemas nos relacionamentos, principalmente pela falta de compreensão do outro ou de empatia.

Em muitos momentos, até sabem de alguns defeitos, que são exagerados em habilidades e até mesmo em sofrências, mas a necessidade de serem percebidos e admirados é muito maior que estas percepções e seguem na busca, por vezes inconsciente, de se sobressaírem, até exagerando certas conquistas, e a soma destes pontos os tornam insuportavelmente competitivas.

Também acreditam que suas experiências têm mais valor do que a dos demais, e sentem que devem ser o exemplo para aqueles que os rodeiam. Não fazem isso para dar conselhos, mas para ser o centro do discurso. Isso faz suas relações sociais se deteriorarem e então precisam de novos contatos que os admirem.

Questões como capacidade de ouvir e empatia, até buscarem o autoconhecimento, não são pontos conhecidos ou usados.

Nas suas relações pessoais e sociais impera a inveja, tanto que a sentem pelas conquistas alheias como pela que acreditam que os outros têm por suas conquistas.

Costumam mentir, muitas vezes para enfatizar a importância do fato que está relacionado e isso acaba sendo uma das muletas dos narcisistas.

“Sucesso ilimitado, essa fantasia que os acompanha”.

Criadores contumazes de realidades paralelas, “A maior parte do tempo não vivem na realidade”. Seus conceitos errados sobre suas capacidades os colocam em um mundo de fantasias e de poder sobre os demais. A única coisa que fazem, com a esperança de alcançar o sucesso a todo custo, é enganar a eles mesmos e aos demais.

Também costumam ser viciados em controle, até para que sua insegurança e falta de autoestima não fiquem evidentes.

Com grande frequência, costumam dizer que as redes sociais são um campo perfeito para o narcisismo, o que não é verdade, nem no seu próprio conceito. Expressa isso porque não é um lugar confortável porque é um mundo que não podem controlar. Sua personalidade não tolera críticas, e por fim saem da rede social porque não aguentam, além disso, são incapazes de assumir a realidade crua, que os selfies publicados nas redes não interessam a ninguém.

Como refúgio compensatório para as ‘frustrações’, buscam compensar os sentimentos de dor e frustração pela via dos vícios, seja por compras, álcool, outras drogas, esporte, sexo ou jogo.

Com grande desenvoltura para se aproveitar dos outros, buscam pessoas bem posicionadas para ganhar sua confiança.

Um verdadeiro narcisista nunca se percebe ou aceita o título…

Dr. Douglas Brito
Psicanalista Clínico

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