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O Desejo Sexual

Por Douglas Brito
Desejo sexual

O desejo sexual é a via que nos conduz a buscar uma situação específica para se satisfazer. No caso do desejo sexual, a pessoa fica motivada a buscar um prazer em especial, o sexual. A manifestação do desejo sexual independe de manifestações químicas e elétricas do sistema nervoso. Ou seja, a libido é o resultado de uma química equilibrada entre saúde preservada, estímulo sensual satisfatório, estado emocional controlado e a ação dos neurotransmissores e hormônios. Considerado um impulso, o desejo sexual ativa processos mentais complexos, tanto em nível consciente quanto em nível inconsciente. As expressões do senso comum, como por exemplo: “Ele mexeu comigo”, “Quando o vejo minha adrenalina vai a mil”, “Tenho uma relação de pele com ele”, deixam de ser figuras de linguagem quando vistas por uma outra ótica. Todas essas sensações têm uma fonte biológica. Resultam de uma série de substâncias químicas que inundam o corpo. A começar pelo cérebro que produz um grupo dessas substâncias chamadas de neurotransmissores é que o mecanismo do desejo sexual se efetiva – os neurotransmissores são mensageiros químicos encarregados de transmitir informações de uma célula nervosa à outra. Neste sentido, uma lembrança erótica através de um cheiro ou qualquer associação com estímulos potencialmente sensuais, é o suficiente para que os neurotransmissores entrem em ação. A partir daí a pessoa procurará libertar-se de uma tensão interior, e, ao descarregar-se nesse processo de liberação, atingirá o seu gozo. Ocorre que, como a sensação especial de prazer sexual advém de um processo químico natural muitas pessoas acabam se envolvendo mais com esses impulsos intensos do que com as pessoas com as quais se relaciona. Desta forma, trocam freqüentemente de parceiros para repetir o êxtase experimentado naqueles primeiros momentos vividos com alguém. Essas são pessoas que muitas vezes não conseguem passar desse primeiro estágio do relacionamento a dois. Estudos também apontam para o fato de as pessoas poderem viver um relacionamento a dois prazeroso e confortável mesmo depois desse êxtase químico que ocorre no início dos encontros íntimos. É preciso para isso, apreciar uma convivência estável a dois para que o cérebro se incumba do resto. Ou seja, o cérebro produz outro tipo de substâncias, chamadas de endorfinas – de ação analgésica -, encarregadas pelas sensações de segurança, confiança e gratificação quando a pessoa prolonga um envolvimento com outras características além daquela química natural presente no início de um relacionamento a dois. Sob esta perspectiva, muitas variáveis podem interferir na expressão do desejo sexual das pessoas. Fatores conscientes e conhecidos pela pessoa – tais como orgânicos e/ou emocionais -, interferem no desejo sexual da mesma forma que os fatores inconscientes que a levam, muitas vezes, a verbalizar a vontade de ter mais – ou menos – desejo sexual sem conseguir identificar a sua participação nessa insatisfação. Cabe salientar que tão importante quanto a vontade de ter desejo, e, em especial o sexual, é avaliarmos o significado dos motivos que desencadeiam ou não esse impulso em nossa vida. Se os motivos favorecem resultados equilibrados e satisfatórios em nossos relacionamentos amorosos podemos conservá-los assim, caso contrário é possível reformularmos esses motivos em nossa vida, e, de carentes, escravos ou viciados do desejo sexual nos transformar em agentes mais conscientes da nossa motivação para desejar. Psicanalista Douglas Brito

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