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Compulsão por compras

Por Douglas Brito
Mulher com sacolas de compras

Oniomania – é o nome clínico deste transtorno psicológico, mais conhecido como consumismo compulsivo.

Esta patologia – compulsão por compras foi considerada uma doença apenas recentemente, na década de 1980. Não existem estudos que comprovem as causas dessa doença, mas há algumas possibilidades. Uma delas está relacionada com a história comportamental da família do indivíduo. “É muito comum encontrar, na família dos compradores compulsivos, pessoas com problemas relacionados ao controle dos impulsos, como jogo, bebida e sexo”.

É um transtorno psicológico muito comum que tende a ser sinal de carências e dificuldade nos relacionamentos interpessoais. Pessoas que compram muitas coisas, que muitas vezes são desnecessárias, podem sofrer de problemas emocionais mais graves e devem procurar algum tratamento.

Estudos anteriores retratavam que afetava mais as mulheres que os homens e tendia a aparecer na maioridade, mas sabe-se por novas fontes que este quadro vem atingindo crianças e adolescentes.

Geralmente, algum outro quadro corrobora substancialmente para que estas pessoas saiam para comprar coisas quando se sentem sozinhas ou decepcionadas, em linhas gerais, mas o vício acaba tomando conta em outros momentos, como alegria, euforia ou tristeza.

Na busca por alguma coisa (simbolicamente para preencher algum vazio) vai tomando conta do momento, das horas, dos dias e da vida dos compulsivos, no afã de encontrarem o item mais importante da sua vida (naquele momento), a roupa, o objeto extremamente necessário e que trará a felicidade novamente, mas a satisfação boa de comprar algo novo logo desaparece e então é preciso comprar outra coisa, tornando o ciclo vicioso.

O tratamento mais indicado para este tipo de compulsão é a psicoterapia, que irá procurar a raiz do problema e, então, a pessoa deixará aos poucos de comprar coisas por impulso.

Com relação às questões subjetivas, são indivíduos mais frágeis emocionalmente, que buscam se encontrarem, seja no consumo, na vestimenta ou na maneira de se apresentar ao outro, elementos que mostrem e valorizem suas características, tentando mostrar alguns valores aos outros que não encontram em si.

Outro aspecto importante que envolvem todos, mais especificamente o gênero masculino, é na questão do suposto poder e reconhecimento de potencialidades que se tornam importantes em alguma fase da vida, mas que, ao observarmos, em todos os casos, nada supre e nem atende plenamente aos interesses dos compulsivos, sempre caem num vazio emocional, existencial, ainda maior do que estavam e ainda pioraram, na maioria das vezes porque levaram o problema para outras esferas.

Principais sintomas

O principal sintoma de oniomania é a compra de forma impulsiva e, na maioria das vezes, de bens supérfluos, mas que não parecer ser para o compulsivo. Além disso, outros sinais e sintomas que podem indicar esse transtorno são:

  • Preocupação excessiva;
  • Aumento progressivo do volume de compras;
  • Tentativas frustradas de reduzir ou controlar as compras;
  • Justificativas para cada item – para si e para os outros;
  • Comprar itens repetidos;
  • Esconder as compras da família e amigos;
  • Mentir em relação às compras;
  • Recorrer a empréstimos bancários ou na família para compras;
  • Descontrole financeiro;
  • Fazer compras com o objetivo de lidar com as angústias, tristezas e preocupações;
  • Sentimento de culpa após compras, mas que não impede de comprar novamente;
  • Círculo vicioso – compra, vai se endividando até um ponto crítico, daí busca ajuda financeira com terceiros, tem algumas atitudes que supostamente mostram que melhoram, mas ao se perceber, passada a fase da euforia de ter se superado, o ciclo recomeça e muitas vezes por uma vida toda e envolvendo toda a família;

Tratamento

O comportamento repetitivo e crônico pode gerar consequências negativas para o indivíduo, além dos elevados índices de comorbidades (doenças relacionadas), como transtorno de humor e ansiedade, por exemplo. Muitas vezes as pessoas necessitam de medicação para auxiliar no processo de tratamento, mas eu considero que a parte mais complicada é de se assumir com o transtorno.

O tratamento da oniomania é feito por meio de sessões de terapia, em que buscamos entender e fazer a pessoa entender a razão pela qual consome de forma excessiva, buscando estratégias durante as sessões que estimulem a mudança no comportamento da pessoa.

Quando possível, a terapia em grupo também costuma funcionar e tem bons resultados, pois durante a dinâmica as pessoas que compartilham do mesmo transtorno conseguem expor suas inseguranças, ansiedades e sensações que as compras podem trazer, o que pode tornar mais fácil o processo de aceitação do transtorno e resolução da oniomania.

Em algumas situações, pode ser recomendado que a pessoa também tenha acompanhamento psiquiatrico, principalmente se for identificado que além do consumismo compulsivo, há depressão ou ansiedade, por exemplo. Dessa forma, o psiquiatra pode intervir com o uso de medicamentos específicos.

O ponto central da terapia é “ressignificar” o comportamento compulsivo, buscando outras formas de a pessoa obter recompensas e sentir-se amada que não seja pelo viés do consumo compulsivo.

A diferença entre uma compra compulsiva e compras normais.

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